O que fazer após a concessão da nacionalidade portuguesa?

A aprovação da nacionalidade portuguesa é, para muitas famílias, um momento muito esperado.

Meses, por vezes, anos de espera e, finalmente, a notícia chega: a nacionalidade foi concedida.

Mas logo a seguir, surgem as dúvidas.

O que fazer agora? Quais documentos emitir? É necessário atualizar algum registro? E os filhos e cônjuge, o que acontece com eles?

Estas perguntas são mais comuns do que parece. E têm resposta. Neste artigo, explico o que normalmente acontece após a concessão da nacionalidade portuguesa e o que é importante ter em atenção nos passos seguintes.

O que fazer após a concessão da nacionalidade portuguesa?

1. O que muda após a nacionalidade

A concessão da nacionalidade portuguesa significa que você passa a ser cidadão português para todos os efeitos legais.

Isso tem implicações práticas e imediatas.

Você passa a ter o direito a circular, residir e trabalhar livremente em qualquer país da União Europeia.

Pode ter acesso a serviços públicos portugueses na qualidade de cidadão. Pode votar em Portugal. E pode transmitir a nacionalidade portuguesa aos seus descendentes, dentro das condições previstas na lei.

Mas a nacionalidade concedida não atualiza automaticamente todos os registros. Não emite documentos por si própria. E não resolve situações que possam existir nos seus atos civis.

É aqui que começa o trabalho após a concessão.

Portanto, obter a nacionalidade portuguesa é um passo importante, sem dúvida, mas não é o passo final. O que vem a seguir determina como essa nacionalidade se traduz, na prática, no quotidiano de cada pessoa.

2. Documentos que normalmente são emitidos

Após a concessão da nacionalidade portuguesa, há um conjunto de documentos que, em regra, devem ser tratados.

2.1. Cartão de Cidadão

O Cartão de Cidadão é o documento de identificação do cidadão português. Com a nacionalidade concedida, passa a ter direito a solicitá-lo.

É através deste documento que você se identifica como cidadão português perante as autoridades, instituições e serviços em Portugal e no estrangeiro.

O seu pedido é feito junto do IRN, Instituto dos Registos e Notariado, nos espaços de atendimento ao cidadão ou no Consulado português da sua residência.

2.2. Passaporte português

O passaporte português é um dos documentos mais valorizados após a concessão da nacionalidade, e com razão.

Com o passaporte você pode circular livremente dentro do espaço Schengen, viajar sem visto para dezenas de países e identificar-se como cidadão da União Europeia fora do território europeu.

O pedido de passaporte é feito separadamente do Cartão de Cidadão, embora muitas pessoas tratem os dois em simultâneo.

O que fazer após a concessão da nacionalidade portuguesa?

2.3. NIF — Número de Identificação Fiscal

O NIF é necessário para qualquer relação com as autoridades fiscais portuguesas, desde a abertura de contas bancárias até à celebração de contratos, passando pela declaração de IRS.

Quem ainda não dispõe de NIF português, ou tem um NIF de não residente, deve verificar se é necessário proceder à sua atualização após a concessão da nacionalidade.

2.4. Registro na conservatória

A concessão da nacionalidade implica, em regra, a feitura do assento de nascimento do novo cidadão.

Este registro é feito na conservatória competente e serve de base para a emissão dos documentos referidos acima.

Sem este registro atualizado, os restantes passos podem ficar bloqueados.

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3. Situações que merecem atenção

A concessão da nacionalidade é também o momento em que determinadas situações da vida pessoal e familiar passam a ter relevância jurídica em Portugal.

Sendo assim, determinadas situações se não estiverem regularizadas, podem criar dificuldades.

3.1. Casamento realizado no exterior

Se você casou fora de Portugal, esse casamento deve estar transcrito no registo civil português.

Com a nacionalidade concedida, esta transcrição torna-se ainda mais relevante, especialmente se você pretende tratar de outros documentos ou processos em Portugal.

Um casamento não transcrito pode gerar inconsistências nos registos civis e complicar processos futuros.

3.2. Alteração de nome

Em alguns casos, a concessão da nacionalidade é também o momento em que surge a questão do nome.

Existem situações em que o nome constante nos documentos estrangeiros não corresponde exatamente ao nome que ficará registrado em Portugal, seja por diferenças de grafia, seja por estruturas de nome distintos entre países.

Estas situações devem ser identificadas e tratadas atempadamente, antes de emitir os documentos definitivos.

O que fazer após a concessão da nacionalidade portuguesa?

3.3. Divórcio

Tal como acontece com o casamento, um divórcio realizado no estrangeiro deve estar registrado em Portugal.

Se o estado civil do novo cidadão português consta como casado nos registos portugueses, quando na realidade já se divorciou noutro país, esta inconsistência precisa de ser corrigida.

Ignorar esta situação pode trazer complicações em processos futuros, como um novo casamento ou a atualização de outros documentos.

3.4. Atualização do estado civil

De forma mais abrangente, o estado civil deve estar coerente entre os documentos do país de origem e os registos portugueses.

Qualquer divergência, seja por casamento, divórcio, viuvez ou outra situação, deve ser analisada e regularizada.

3.5. Nacionalidade para filhos e cônjuge

Se você tem filhos e cônjuge, a concessão da nacionalidade pode depender da atualização do seu registo civil.

Em alguns casos, o estabelecimento da filiação é comprovado pelo casamento, por isso, a transcrição do casamento é fundamental no processo da nacionalidade.

Do mesmo modo, para o cônjuge requerer a nacionalidade com base no casamento, o mesmo já deve estar devidamente transcrito em Portugal.

3.6. Coerência documental

Este é, talvez, o ponto mais transversal de todos.

Após a concessão da nacionalidade, você passa a ter documentos de mais do que um país.

E esses documentos precisam de ser coerentes entre si, nos dados de identificação, no estado civil, no nome, na filiação.

Uma inconsistência que parecia irrelevante antes da nacionalidade pode tornar-se um obstáculo real depois da concessão da nacionalidade.

Por isso, é importante fazer uma verificação global da documentação e corrigir o que for necessário, antes de avançar com os passos seguintes.

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4. Cuidados importantes

Há alguns cuidados que vale a pena você ter em mente após a concessão da nacionalidade portuguesa.

  • Não deixar os documentos para depois. É tentador relaxar após a aprovação… afinal, foi um processo longo. Mas os passos seguintes têm também os seus prazos e as suas implicações. Adiar a emissão dos documentos ou a regularização de situações pendentes pode criar dificuldades desnecessárias mais à frente.
  • Não assumir que tudo fica resolvido automaticamente. A nacionalidade foi concedida, mas os registros, os documentos e as situações familiares pendentes não se resolvem sozinhos. Cada um desses passos tem o seu processo próprio.
  • Perceber o impacto da dupla nacionalidade. Portugal admite a dupla nacionalidade, mas o país de origem pode ter regras diferentes. Em alguns países, a aquisição de uma segunda nacionalidade pode ter implicações no estatuto de cidadão do país de origem. Este é um ponto que cada pessoa deve verificar de acordo com a sua situação específica.
O que fazer após a concessão da nacionalidade portuguesa?

5. Conclusão

Obter a nacionalidade portuguesa é uma conquista. Para muitas famílias, representa o culminar de um percurso longo e significativo.

Mas a nacionalidade concedida é o início de um novo capítulo, não o fecho de um processo.

Os documentos a emitir, os registros a atualizar, as situações familiares a regularizar, tudo isso faz parte do que vem a seguir.

E perceber o que é necessário fazer, em que ordem e com que documentação, faz toda a diferença na forma como essa nova condição de cidadão português se traduz na prática.

Cada situação é diferente. O que é simples para uma pessoa pode envolver etapas adicionais para outra.

Por isso, uma análise individualizada, que tenha em conta os documentos existentes, o estado civil, a situação familiar e os objetivos de cada pessoa, são sempre o ponto de partida mais seguro.

Porque tão importante quanto o seu direito de obter a nacionalidade é saber os seus deveres enquanto cidadão português.

(Vanessa C. Bueno)

vanessa@odireitosemfronteiras.com

Instagram: @vanessabueno.adv

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